Wrong World
When my kids are old enough, i'm gonna teach them to fly.
Quarta-feira, Maio 16, 2012
últimos dias
Segunda-feira, Maio 07, 2012
04h57
Quarta-feira, Abril 25, 2012
Eu já não
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe."
Elogio ao amor por Miguel Esteves Cardoso
Eu já não... Sou um desses montes sem vida que escolheu viver em vez de amar. Mas que quer voltar a amar um dia. Um dia quer deixar este carpediem ridículo que esconde o que é belo e nos faz fingir que somos superiores e felizes. Um dia serei um desses seres que ama. Um desses superiores verdadeiramente.
Quarta-feira, Abril 18, 2012
Rita, cacheadamente Rita
E não se pode amar uma actriz. Ela apaixonar-se-à por si como se de uma personagem se tratasse e não poderá nunca esquecer esse amor porque foi para isso que nasceu. Para se lembrar de tudo e cada pormenor ser um mundo, para reproduzir todas as suas memórias e dar-lhes valor. Inventar-lhes uma importância que eles, simples bocados de papel, não têm. E vão querer eternizar os homens que amam com um relicário do seu coração.
O senhor, eu não amei. Não, perdoe-me. Amei-o e amo-o. É como um irmão para mim.
Quanto ao homem que me destruirá, vou amá-lo até que ele, por simples falta do que fazer, me destrua como prevê nos seus contos. E é isso. Sei-o, mas amo-lo. E depois disso nunca mais serei dele, mas ele será para sempre meu. Pois eu eternizá-lo-ei e o seu espírito não se poderá soltar de tanta devoção.
Gostava de o poder fazer consigo, mas não sou capaz.
O senhor cansa-me e chega até a parecer-me pequeno, por vezes. Isso mata-me, destrói a minha alma, corrói-me não acreditar na sua grandeza como acreditei em tempos.
Sabe aquele momento em que não me amou? Aquele segundo ínfimo em que olhou para o lado? Ah, é ridículo e não quero que me veja a chorar por isto. Falo a sério, não me olhe assim. Nesse instante, fez com que eu deixasse de o admirar e ganhei-lhe um certo desprezo. Tenho muita pena disso porque não há volta a dar e perdi o homem da minha vida. Ah, mas se não tivesse olhado, se não se tivesse esquecido de mim. Você também tem culpa. Desculpe se me rio. Mas acontece-me sempre que falo em culpa. Mas é isso. Eu não o podia evitar senti-lo, o senhor sim, poderia ter evitado fazê-lo. Espero que não sofra com a bala que o atingir. Espero que a eternidade que não conquistou por estar tão obcecado com ela, não lhe pese na hora de ir.
Boa noite.
Domingo, Abril 15, 2012
Contradições
A felicidade não está na solidão. Se isso é tão óbvio, porque tentamos sempre por aí? A independência pode ser acompanhada.
Há alturas em que chove e faz sol ao mesmo tempo. É estranho, mas é bom. E se o arco-íris é bonito, mesmo estando longe, porque não olhar? Apesar do aspecto doce, talvez seja salgado e saboroso. Talvez seja feliz.
Quarta-feira, Abril 11, 2012
moro numa rua de sentido proibido, nº5
Domingo, Abril 08, 2012
Infantilidades
se já não queres o meu coração, porque não mo devolves?
não é cruel?
se me amas, porque não ficas?
se não ficas, porque me amas?
se me amas, porque unes todos os esforços para que sofra?
se me amas e me deixas, como não entendes que fique de rastos e não te fale como se fosses a pessoa mais maravilhosa do mundo?
sabes, tens a noção, entendes mesmo que se um dia alguém te fizer metade, vais desprezá-la e fazê-la sentir-se a pior pessoa à face da terra, não entendes?
se me amas, porque não ficas?
porque és tão reticente ao arrependimento, à luta pelo que amas e que é frágil?
quero desistir, mas não tenho forças.
mas, meu amor, quem quer ficar fica, não é?
para quê todas estas ilusões, todas estas perguntas?
eu andava bem, a comportar-me como tu me ensinaste. alheei-me e podia sorrir por todas as razões.
hoje não é tanto assim. mas voltará a ser, não voltará?
promete-me que se voltares algum dia a rezar, que pedirás algo para mim. um sorriso, uma vida feliz, qualquer uma dessas coisas que tu tão bem sabias dar. pedes?
escrevo-o aqui porque contigo não posso falar. porque a tua parede está cada vez mais alta e não me queres lá.
amar assim, sem poesia nem rodeios é tão infantil.
tão infantil como os filhos que queria ter de ti.
Quarta-feira, Abril 04, 2012
vento sul
Quarta-feira, Março 28, 2012
Cartópensamento
Sábado, Março 24, 2012
hoje, de repente, queria ir ao teu blog e não me lembrava do endereço. hoje, apaguei as tuas músicas do meu telemóvel para não ser masoquista. e se não tivesse de esquecer mais nada? era tão bom.
nuns momentos sinto-me forte e capaz de desistir, noutros sinto que se não lutar estou a deitar fora o melhor que conheço.
Sexta-feira, Março 23, 2012
Sim!!
Sexta-feira, Março 16, 2012
tudo o que eu queria
as chaves que te deixo para um dia mais tarde
Quarta-feira, Março 14, 2012
Recuerdate de recordarme
Segunda-feira, Janeiro 30, 2012
Entrega
Segunda-feira, Janeiro 16, 2012
Imaginarium pela porta grande
Quinta-feira, Janeiro 12, 2012
Ressuscitar?
Há uma confusão entre o que é passado e futuro. Há uma confusão que não posso explicar. Há uma confusão que me alimenta a ilusão de que as coisas não são simples. E eu poderia viver toda uma eternidade se confiasse na simplicidade que é toda a complicação natural das coisas. Mas por causa de penas que deixei perto da janela e ousaram voar quando a abri, já não confio nisso. Quando algo parece duro e fere, é sinal que é algo para deitar fora. Era tão bom que não fosse… Era tão bom que houvesse lugar para enganos. Quando pensamos que amamos, queremos essa pessoa todos os dias ao nosso lado. Quando sabemos que amamos, temos de ter essa pessoa todos os dias ao nosso lado. Quando dizemos que amamos, amamos e isso de amar é mais forte do que parece. Domina-nos a nós mesmos e já não há grande controlo que tenhamos. E é por isso que gostamos do amor. Porque nos retira as responsabilidades e nos deixa planar.
E ela é explicativa e comenta. E é só uma introdução para algo que terá de ser diferente. E isso é simples. Simplesmente complicado. Por isso está tudo bem.
Terça-feira, Janeiro 11, 2011
a propósito
Quando morreres, não deixarei que te levem num caixão.
Não deixarei que te roubem a opinião.
Enaltecer-te-ei como aos meus olhos mereces e serás imortal,
Serás como quero, levem a bem ou a mal.
Serás meu como já agora és,
Ficarás a descansar perto dos meus pés.
Junto a mim dormirás como se vivo ainda fosses,
Na minha cama, casa, a respirar cada dor e ideia,
Não aceito perder-te, não me resigno com destroços,
Fora com triviais desígnios, que venha em morte a ceia.
Não sei como farei, como sobreviverei,
Mas prometo-te, com todas as letras e ar que tenho,
Que enquanto de pé conseguir estar,
Ninguém vai esquecer o teu lugar.
Quinta-feira, Dezembro 09, 2010
Doces Canaviais
A janela quadriculada ficava atrás de mim, dividida em seis por aquelas ripas de madeira que inspiram a brisa rural e o som dos animais.
Eu no alpendre, à espera, na velha cadeira de baloiço que rangia no soalho quando os meus pés se elevavam mais de quinze centímetros, escrevia palavras soltas no bloco de folhas amarelecidas pelo tempo. Palavras soltas que te descreviam minuciosamente. Perfeitamente. Do alto dos três degraus, observava a imensidão das plantações, o trigo seco e morto há anos, as crianças que imaginava a correrem por aquele enorme espaço vazio… Era Agosto e o calor fazia o meu vestido de lindo branco parecer cruelmente quente e os meus pés descalços, demasiado cobertos.
Esperava-te hoje como se fosse um dia diferente. Todos o dias me sentava ali, em frente aos canaviais e ao paraíso que imaginava se lá estivesses. Todos os dias. Talvez um deles fosse altura de tu regressares. A esperança alimentava-se do calor, confesso. Naqueles dias quentes, tinha sempre a certeza de que aparecerias dentro de poucas horas. Claro era que em todos os dias, meses e anos, essa esperança fora falsa…mas brilhava sempre com a mesma força.
Já no inverno, esperava bárbaras horas sem fim, na convicção de que eram em vão. Mas fazia-o. Sempre, sem falhar um dia.
Hoje, aguardava-te de pé, de um lado para o outro, como num filme antigo em que as imagens aparecem granuladas e com falhas. E imaginava-te a surgir por entre os reflexos que o calor provocava na estrada de alcatrão a uns metros dali. Às vezes vinhas a correr, outras vezes vinhas sereno…mas sempre tão directo a mim, sem hesitação. Vinhas com o blaser azul e as calças de ganga de quando nos conhecemos, o chapéu que te dera nos anos e a barba por fazer que tão bem combina com o teu cabelo encaracolado.
Esperava-te hoje como se fosse um dia diferente. Era dia três e tu fazias anos. Apareceste mais bonito que nunca, tão bonito como sempre e abraçámo-nos fortemente. Ficámos naquele etéreo espaço durante anos, vivemos sozinhos sem nunca ninguém te ver.
Um dia, fomos até à cidade e um dos homens de bata branca disse que eu tinha de ficar lá e que tu não podias vir, que não acreditavam em ti. Quis voltar para a nossa casinha, mas não me deixaram. Proibiram-te de entrar, mas ias visitar-me às escondidas muitas vezes.
Agora não vejo, ceguei. Mas ainda não me tiraram os olhos e continuo a poder chorar quando não estás.
Mas eu sei que vens, vens sempre e vais embora quanto tomo os comprimidos. Eles, os da bata branca, não te podem ver nunca. Não importa, não importa porque eu sei que vens.
Terça-feira, Setembro 28, 2010
A. E.
É duro quando vemos que deitámos tudo a perder,
quando os nossos erros têm consequências que não contávamos
- o que é quase sempre.
É aborrecido quando tudo aquilo que tentámos estragar, se estragou mesmo.
Extremamente desagradável, quando descobrirmos que é o ângulo recto que ferve a 90 graus e não a água, não é?
Prometemos a nós mesmos que da próxima será diferente.
E depois? Depois fazemos pior.
Será que é possível colar os bocados do que se partiu?
Será que existe cola capaz?
Eu acredito que sim.
No dia em que o deixar de fazer, não há sonhos que ainda vivam.
