- Já não tens dói-dói, vês? Não tires o penso e vai brincar.
Palmadinha no rabo e estás despachada. Corres para o parque com as tranças a saltarem-te nos ombros.
Há quatro anos atrás, não andavas. Há três ainda não fazias bolinhas de sabão. Há dois não dizias que querias ser bailarina e escrever histórias como as que a tia Sofia te conta antes da sesta. Há um já não te lembravas da voz dela tão bem e hoje… hoje fazes quatro doces anos e o máximo que ouvirás de mim será o pai a cantar-te a música do Soldado ao ouvido; a música que eu te cantava ao ouvido, meu amor.
E quando ele te tocar o Nothing Else Matters que usa como forma de te dar os parabéns todos os anos, eu não estarei lá a sorrir para ti. Este ano não houve nenhum pretexto para aí estar, meu doce. E, nesta vida tudo precisa de um pretexto, de um motivo que possa ser ilustrado para o mundo. Ou nem tudo, mas tu sim.
Irónico, mas o mais importante é sempre o mais complicado. E tu, meu amor, és infelizmente e de forma inequívoca, muito complicada.
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