Terça-feira, Maio 25, 2010

Desafinadas Cordas de Violino

Portão alto que só termina quando encontra o céu.

Vejo-o de baixo, não discirno as distâncias.

Grades espaçadas, mas impenetráveis,

ferro escuro e pesado, difícil de mover ou transpor.

Blocos de gelo presos no exterior do seu interior.

Frieza que defende quem por ele foi acolhido.

Um jardim grande, verde, brilhante.

De uma beleza sublime que transmite uma felicidade tão aparente e ilusória que fere.

Jogam-se às cartas numa mesa pequena e redonda.

Apostas, riscos, sonhos e algodão doce.

Malmequer colhida pelas mãos de uma criança.

Love me, love me not, love me, love me not…

Por favor, que calhe love me.

As pétalas desta flor são, tragicamente, sempre número par.

Pétalas negras que caem com a força do vento,

um prenúncio de morte que assalta a vida que timidamente aborda aquele espaço intransigentemente fechado.


E depois o agudo som do violino,

que habitualmente soa uma melodia triste, penosa e niilista.

Mas esta transporta uma aura leve, azul, que cola sorrisos em quem passa.

A mim enche-me com as letras do teu nome,

o som dos teus suspiros,

o arrepio do teu olhar,

o sabor dos teus lábios,

a matéria da tua alma

e o conforto das tuas mãos.

Faz-me amar-te sempre mais e ter medo de te perder.

Faz-me tremer e deixar cair lágrimas que pesam por sequer pensar que podes não voltar.

E se foste embora para sempre?

O som do violino dissolve-se,

a tua imagem bonita e apaziguadora desaparece,

o meu corpo liberta suores frios,

encolhe-se, deixa de ver imagens e cores para dar lugar a flashes pretos que se atravessam entre os meus olhos e as cores do mundo,

o meu cérebro, dormente, roda, perdendo o norte,

num incessante girar que me faz cair repentinamente no chão.


Desde que começara a rodar que sabia que cairia,

mas ignorei.

Ou não ignorei, mas achei necessário.

Não é masoquismo, não,

é amor.

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