Soube o que era o amor quando, duramente, me disseste que amavas aquela mulher. Soube-o. Senti-o em ti. O quanto a amavas e quanto poderias não ter dito, rendendo-te a uma noite maravilhosa que por vezes te assaltava o espírito, tornando-se parte activa do teu íntimo.
Se ela tivesse visto o brilho nos teus olhos ao dizê-lo. A certeza com que mo asseguravas, sabendo que assim nem um beijo meu receberias. A segurança no teu olhar triste de quem tem de escolher.
É verdade, estavas ali comigo sim.
Estavas ali porque ansiavas devorar a minha alma, sugar o meu corpo.
Ali à minha frente porque me querias agarrar.
Ali à minha frente sem a querer perder.
Limitaste-te apenas a dizer-me “Eu amo-a. Amo a Carolina acima de tudo. Quero estar aqui, mas talvez não devesse. Não te beijarei nem uma vez. Não errarei. Eu amo-a. Amo-a.”
E foi aqui.
Foi quando, pela primeira vez, um homem que desejava que me beijasse não me beijou, que eu percebi o que era o amor.
E isto, acreditem, não foi um final feliz,
Foi um final muitíssimo feliz!
É que agora já sei.
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