Terça-feira, Agosto 24, 2010

Linha de Comboio

Alguém sente imenso a tua falta e não te vou dizer quem é.

É uma pessoa pequenina e de tranças. Com voz forte, mas tão frágil como um brilhante dia de sol que facilmente é invadido pela chuva negra e pesada. Um ser fraco no que toca a maltratar, uma mulher rendida à doçura de ser criança.

Ela tem a letra encaracolada como o cabelo e inclinada como a sombra que faz ao debruçar-se para te beijar. Os sonhos dela são bonitos e os seus olhos ficam mais verdes quando os fixa em ti.

Ela achava os casais uma potente fonte de acontecimentos pirosos e lamechas antes de se apaixonar por ti.

Essa estranha criatura não se sente dependente de ti, nem sente falta de carinho, sente apenas uma terrível ausência tua, uma distância que dói, quer somente ver-te de novo, devorar a tua energia inteira, ser alvo da tua entrega e nudez, da tua alma nas suas mãos.

Não é medo de perder quem a ame, é desgosto por imaginar que podes não querer partilhar com ela a tua essência que a faz sorrir.

Isso, contou-me tudo ela ao ouvido, em tom de segredo. Não o devia deixar chegar a ti, mas amo-te de uma forma que não me deixa esconder de ti a linha de comboio sobre a qual ando todos os dias.

Ops, descaí-me!

Bom, espero que ela não se zangue, então!

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