Sábado, Setembro 25, 2010

Despedida

Olá bom dia, em tom coloquial,

Um beijo de boa noite, coisa normal.

Dá-me um abraço, roçando o paternal,

Hoje estás bonita, a apostar no frontal.


Sonhei contigo, numa quase investida,

Um toque no braço e uma alma despida.

Um beijo terno junto ao pescoço,

Uma surpresa fugaz, vim buscar-te para almoço!


Queres vir comigo?, aluguei um balão,

Aproveita esta, que já não tenho um tostão.

Um passeio junto ao mar e jantar com luz fraca,

Ou te apaixonas agora e durmo com um sorriso,

ou o meu sangue vira mágoa e amanhã estou de ressaca.


Beijas-me levemente quando acaba a noite,

Tenho o dia ganho, o mês, o ano,

O pesadelo afasta-se como água e azeite.


A perfeição, o sonho, o amor e uma cabana,

Cada dor desaparece, a cada dia da semana.

Sou muito primário ao falar de ti,

Só sei como cheiras e o que sempre senti.


Tudo belo até ao dia da despedida,

Memórias efémeras que deixo o vento levar,

Afastas-te numa partida consentida,

Aceitei tudo o que a tua alma quis roubar.


Podia dizer que era o destino, que tinha de ser,

Que as dores que agora tenho são melhores que morrer,

Podia desculpar-me, mentir, acreditar que vai passar,

Procurar melhor ou conformar-me com o que há,

Devia pegar em mim e atirar-me ao mar,

Afogar-me devagar ou nova vida construir…

Mas o teu sorriso… esse, quem o vai substituir?

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