Terça-feira, Setembro 21, 2010

erroneamente continuado

E esse homem putrefacto que agora aqui jaz,

como seria se nunca morto fora?

talvez de novo o apunhalasse para o ver sofrer,

eu que tanto desgosto de quem fora outrora.


A terra a engolir os ossos que negros se desfaziam,

a noite a devorar a mágoa que longe havia nascido,

o sonho a derreter, sendo a água que nunca seriam,

a faca a gritar surdamente o que era sabido.


E a morte levou esse corpo morto,

matado por quem era, retorcido por ser torto,

caro a ninguém, propriedade sem valor,

detrito sujo, dejecto poluído, imundo e sem calor,

ali ficou, suspenso por cordas que não o queriam.

Manchado de lama, longe dos que lhe fugiam.

2 jogador(s):

o vespertino disse...

morto inocente de uma causa sua,
ignorante viajante pela rua da amargura,
ao chegar ao inferno, nada lhe foi dito.
das colunas das chamas poderia ter-se ouvido:
vai-te. não pertences aqui.
e as lágrimas secas do inferno,
apagariam o fogo em si.

e a bala que lhe cruzou o peito,
lhe diria no seu bom jeito:
agora que está feito, feito está,
se o erro fosse desfeito,
muitas crianças no seu leito,
não me lembrariam já.
o mal é bom, e vice-versa,
e poderia ser só conversa,
mas a bala do teu peito,
foi inventada pelo teu papá.

James M. disse...

Pesado..., mas poeticamente tocante :')

És bonita, Sofia *

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