E esse homem putrefacto que agora aqui jaz,
como seria se nunca morto fora?
talvez de novo o apunhalasse para o ver sofrer,
eu que tanto desgosto de quem fora outrora.
A terra a engolir os ossos que negros se desfaziam,
a noite a devorar a mágoa que longe havia nascido,
o sonho a derreter, sendo a água que nunca seriam,
a faca a gritar surdamente o que era sabido.
E a morte levou esse corpo morto,
matado por quem era, retorcido por ser torto,
caro a ninguém, propriedade sem valor,
detrito sujo, dejecto poluído, imundo e sem calor,
ali ficou, suspenso por cordas que não o queriam.
Manchado de lama, longe dos que lhe fugiam.
2 jogador(s):
morto inocente de uma causa sua,
ignorante viajante pela rua da amargura,
ao chegar ao inferno, nada lhe foi dito.
das colunas das chamas poderia ter-se ouvido:
vai-te. não pertences aqui.
e as lágrimas secas do inferno,
apagariam o fogo em si.
e a bala que lhe cruzou o peito,
lhe diria no seu bom jeito:
agora que está feito, feito está,
se o erro fosse desfeito,
muitas crianças no seu leito,
não me lembrariam já.
o mal é bom, e vice-versa,
e poderia ser só conversa,
mas a bala do teu peito,
foi inventada pelo teu papá.
Pesado..., mas poeticamente tocante :')
És bonita, Sofia *
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