Piscar de olhos e um mundo mudado,
Rodou, girou, trocou de lado,
Saltou à corda, pulou do eixo,
Uma reviravolta simples de tão complicada.
Tudo mudou e não foi por desleixo
Um rio bonito mas poluído,
Cortesia nociva, gesto construído,
Água salgada em sonho massivo
Pureza revelada ácido corrosivo.
Compacto e revelador,
Tudo está a andar em frente, sabias?
Estamos presos no fundo do mar e o mundo lá fora está a andar sem parar.
Porque tentas roubar o meu passado fazendo dele o teu presente?
Porque fico a olhar para o que não se mexe e fico surpresa com o que é irreal?
Mantenho um ar impávido e não sereno especado numa vida inanimada que não demonstra nada me que interesse.
A revolta mata, corrói, espezinha, corrompe.
Soltarei as cordas que me amarram, olharei para o céu escuro, cheio de nuvens que mal consigo ver com tantas toneladas de água que se atravessam entre nós e romperei com o que me prende. Lutarei por esse céu feio que me parecia desprezível e que vejo agora ser a mais doce sobremesa do mundo.
A mais doce.
E vejo esse sorriso pequenino, igualzinho ao do pai a passar lá ao fundo.
Corre, corre e ganha, pequena.
Faz tudo isso enquanto dizem “1, 2, 3, macaquinho do chinês.” Tudo antes que se virem para trás e digam “Devias ter parado um segundo antes, já te apanhei!”.
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