A dor de o criar,
De o ver nascer, crescer,
Ensiná-lo a pôr-se de pé,
A dar os primeiros passos,
Saber que é por isso que dará
Os últimos passos.
Dar-lhe o que precisa e o que não precisa,
Tirar-lhe o que se deve e o que não se deve.
Ser dele,
Olhar para aquela minúscula partícula,
Os pés que envergavam umas botinhas da Chico número 19,
O primeiro boné que quis comprar quando foi ao Sporting com o pai,
As miúdas que convidou para lanchar… no quarto dele.
Era um pequeno ser, enorme para mim.
Igual a outros milhões e tão diferente quando o olhava.
Continuo a ser eu que o fiz crescer, mas
Onde está ele agora?
Onde está?
Longe,
Partiu,
É a lei natural das coisas,
Sabemos que assim será.
A casa fica maior e o quarto dele vazio.
Criei-te, meu amor, para que fosses feliz e conseguisses ser meu, sendo tu.
Criei-te, meu tudo, para que partisses sem partir.
Dei-te o que não tinha para que pudesses viver sem mim.
E agora, onde estás tu?
Estás longe e é assim que deve ser…
Mas, e se não fosse?
Porque não te tornas meu amante platónico para a eternidade?
Aguentar-te-ei tudo.
Volta, meu filho, volta.
A ordem natural das coisas é aquela que se faz, não a que se prediz.
4 jogador(s):
Qui bonito. Quero ser tua filha.
Nós nunca deixámos as coisas fluírem na sua forma mais natural. Não sabemos o que isso é.
Escreves bastante bem e nota-se que a tua inspiração revela sempre o melhor da Sofia. ;)
Adorei o texto.*
Delicioso ^^
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