Sexta-feira, Setembro 03, 2010

Ordem Natural das Coisas

A dor de o criar,

De o ver nascer, crescer,

Ensiná-lo a pôr-se de pé,

A dar os primeiros passos,

Saber que é por isso que dará

Os últimos passos.

Dar-lhe o que precisa e o que não precisa,

Tirar-lhe o que se deve e o que não se deve.

Ser dele,

Olhar para aquela minúscula partícula,

Os pés que envergavam umas botinhas da Chico número 19,

O primeiro boné que quis comprar quando foi ao Sporting com o pai,

As miúdas que convidou para lanchar… no quarto dele.

Era um pequeno ser, enorme para mim.

Igual a outros milhões e tão diferente quando o olhava.

Continuo a ser eu que o fiz crescer, mas

Onde está ele agora?

Onde está?


Longe,

Partiu,

É a lei natural das coisas,

Sabemos que assim será.

A casa fica maior e o quarto dele vazio.

Criei-te, meu amor, para que fosses feliz e conseguisses ser meu, sendo tu.

Criei-te, meu tudo, para que partisses sem partir.

Dei-te o que não tinha para que pudesses viver sem mim.

E agora, onde estás tu?

Estás longe e é assim que deve ser…

Mas, e se não fosse?

Porque não te tornas meu amante platónico para a eternidade?

Aguentar-te-ei tudo.

Volta, meu filho, volta.


A ordem natural das coisas é aquela que se faz, não a que se prediz.

4 jogador(s):

Niusha disse...

Qui bonito. Quero ser tua filha.

v disse...

Nós nunca deixámos as coisas fluírem na sua forma mais natural. Não sabemos o que isso é.

Susahnitah* disse...

Escreves bastante bem e nota-se que a tua inspiração revela sempre o melhor da Sofia. ;)

Adorei o texto.*

James M. disse...

Delicioso ^^

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