Havia uma flor pequenina que te queria dar.
Todos os dias olhava para ti à espera que a quisesses.
Essa flor foi crescendo ao longo do tempo até se tornar do
tamanho de uma árvore antiga.
E tu, já à sombra, reparaste nela.
Arranquei-a, montei um sistema de refrigeração automático
para que nunca tivesse sede ou fome e tratei-a como um bebé frágil e que a
única coisa que precisa de conhecer é afecto.
As suas folhas brancas e gordas começaram a colorir-se de um
rosa forte. E o seu caule verde com uma folha catita ao estilo de desenho
animado começou a ganhar vida e a dançar ao som da música.
Apaixonei-me pela flor, tanto tanto que já não a poderia
largar nem deixar nas mãos de outro.
Levei-a a passear pelo parque, ensinei-a a andar de
bicicleta, mostrei-lhe que as pipocas salgadas são melhores que as doces e
comprei-lhe uns patins iguais aos meus.
Passou a fazer parte da minha vida e era o que me fazia
feliz.
Não poderia guardá-la em nenhum lugar mais seguro do que na
minha vida.
E foi aí que,
vendo os teus olhos tão brilhantes e sorridentes,
estiquei os dois braços e ta dei.
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