Tanto tempo para esquecer-te e não te esquecer. Que tipo de injustiça é esta?
Prometemos a nós mesmos lembrar-nos eternamente de uns e de outros por terem sido importantes, reveladores, surpreendentes, apaixonantes… E esquecemo-nos. Sem grande aviso, sem perceber porquê, acabam por deixar de nos fazer sentido, falta.
Mas e quando somos maravilhados? Quando vemos algo que é superior ao que cremos perfeito e se torna parte de nós? Um espelho dos nosso ideais, um exemplo dos nosso sonhos, uma prova do mundo inteligível? Há pessoas e há luzes. Os humanos é possível esquecer, as estrelas não. A sua memória dura mais que o tempo que viveremos aqui. Se o Sol demorará seis biliões de anos até desaparecer, quanto demorarias tu, se eu ficasse cá para ver e quisesse ver? A luz num quarto escuro, por mais pequena que seja, continua sempre a fazer-se sentir.
E o Sol, ao pé de ti, é só uma estrela.
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